O emocionante minimalismo fragmentado do Arlequins

Minha proposta neste blog é comentar o trabalho musical de amigos, parceiros e também o meu próprio, resumindo, é falar sobre música. Mas, não posso deixar de comentar o trabalho deste grupo de teatro maravilhoso que é o Arlequins, com a peça “Os Filhos da Dita” que entrou em cartaz dia 07/05, no teatro Coletivo, rua da Consolação, 1623 e permanecerá durante todo o mês aos sábados (21h) e domingos (20h).

Ana Maria Quintal e Camila Scudeler

Sem entrar na questão política que o espetáculo aborda, quero focar o trabalho teatral do grupo, texto, interpretação, direção…

A espetacular interpretação das atrizes Ana Maria Quintal e Camila Scudeler, com sensibilidade e entrega a seus personagens, nos conduz com maestria e leveza pelas reflexões, questionamentos e emoções de um texto que sem ter conotação didática, exibe a realidade e a dor vivida nos anos de chumbo da ditadura brasileira, em toda a sua trajetória até nossos dias.

A linguagem fragmentada utilizada pelo grupo é instrumento perfeito para trazer luz a aqueles que passaram por esse tempo com os olhos vendados pela ignorância e desinteresse ou para os mais jovens que não viveram este tenebroso e escuro período da vida de nosso país.

Sérgio Santiago diretor do espetáculo, soube sem dúvida explorar o talento destas duas atrizes, presenteando o espectador com cenas envolventes que vão da extrema delicadeza a pesada angustia, exibindo um grande cuidado em sua construção.

Em muitos momentos da peça a emoção nos envolve, o peito aperta, pois não é fácil lembrar daqueles dias.

A peça descreve de maneira inteligente, humorada e poética todos os acontecimentos e motivações que levaram as elites dominantes apoiadas por uma ala das forças armadas ao golpe de 64 desde Getulio Vargas.

Ao sair do teatro uma coisa estava clara; na covardia e conforto de alguns devemos apagar este período de nossa história, mas para aqueles em que a coragem e a liberdade são fatores predominantes na busca de dias melhores para todos, temos que cantar em uníssono, Ou é, Ou é, Ou é, é Ou… para que os filhos rejeitados desta mãe cruel chamada Dita, não sejam eternos cegos e consigam ver a liberdade no horizonte do Brasil.

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