Arlequins participa da VIII MOSTRA DE TEATRO POPULAR DE LONDRINA

Ana Maria Quintal e Camila Scudeler

A ditadura militar acabou, mas alguns resquícios desse passado sombrio nunca foram enterrados e teimam em se perpetuar como verdadeiros fantasmas que pairam sobre as cabeças daqueles que resistem e não se curvam diante das imposições dos donos do poder.

A perseguição aos que ousam se levantar contra as injustiças sociais neste país continua regra. E a criminalização da luta dos ativistas do campo e da cidade, uma constante. Apesar das torturas e dos assassinatos não terem deixado de ocorrer, principalmente nos rincões mais afastados deste país e nas periferias das grandes cidades, a repressão inovou em seu modo de agir. Sofisticou o discurso, para transmitir um ar de legalidade às ações.

Se durante os anos de chumbo, o Estado prendia, torturava e assassinava, pura e simplesmente, sem se preocupar com as consequências de seus atos, na democracia formal lança mão de recursos mais refinados para alcançar seus objetivos.

Na VIII Mostra Nacional de Teatro Oprimido, dois espetáculos fazem uma reflexão estética sobre este período e seus desdobramentos em dias atuais: “Os Filhos da Dita” do Grupo Arlequins e “Torquemada” do Grupo de Teatro do Oprimido – (GTO), ambos de São Paulo – SP.

O espetáculo “Os Filhos da Dita” faz parte das comemorações de aniversário de 25 anos do Arlequins, núcleo da Cooperativa Paulista de Teatro. Durante o processo de trabalho e temporada do último espetáculo: pra Não dizer que Não falei das Flores, foi identificada em debates, palestras, conversas e leituras a necessidade de discutir o golpe civil militar brasileiro de 1964 e as consequentes mazelas no nosso cotidiano.

O espetáculo do Grupo Arlequins não pretende contar a história, os fatos, as armas e os barões assinalados todos. Assim como o anjo da história, de Walter Benjamin, pretende acordar os mortos e juntar os fragmentos, mas somos impelidos irresistivelmente para o futuro. Os nossos olhos estão voltados para a ordem e o progresso: esse fascínio que ainda exerce o invólucro desenvolvimentista na qual se embrulhou essa ditadura militar brasileira. Se o lobo mau já engoliu a chapeuzinho… O resto não é silêncio, então… interessa: como a vomitará.

Já o espetáculo de Teatro-Fórum “Torquemada” do GTO- São Paulo ,faz uma releitura do texto Torquemada, escrito pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal em 1971, dirigida por Kelly de Bertolli e produzida por Yara Toscano. O texto aborda a tortura como tema recorrente na história da humanidade dando ênfase à experiência vivenciada pelo dramaturgo durante o regime militar brasileiro. A obra relata as práticas de tortura, a ideologia do regime, a vida dos presos políticos e comuns, e, por conseqüência, a situação histórica brasileira naquele início da década de 70. Para além disso, o GTO também propões uma reflexão estética – através do Teatro Fórum – sobre a violência policial nos dias atuais.

Passado e presente passados em revista. Quanto ao futuro, cabe a nós, coletivamente construirmos.



Serviço: VIII Mostra Nacional de Teatro Popular

“Os filhos da Dita” Arlequins
Local: Vila Cultural Casa das Artes – AMEN
Dia 24 de Novembroquinta-feira – às 21H
Ficha Técnica:
Dramaturgia: Éjo de Rocha Miranda e  Ana Maria Quintal
Direção: Sérgio Santiago
Elenco: Ana Maria Quintal e Camila Scudeler
Iluminador:   Sérgio Santiago
Operador de luz:    Fábio Spila
Fotografia e artes gráficas: Edson Frank e Marisa Quintal
Assistente de produção: Danielle Agostinho e Luiz Soares
Assistente Corporal: Bruno Garcia
Treinamento de biomecânica:  Yedda Carvalho Chaves
Consultor musical:  Gregory Slivar
Figurinista: Éder Lopes
Produção: Arlequins / Cooperativa Paulista de Teatro
Faixa etária: indicação 14 anos
Duração: 65 minutos
Blog do projeto/espetáculo: geracaoai5.blogspot.com
Site do Arlequins: www.arlequins.ato.br

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